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Coronavírus na gravidez

27 fev

Coronavírus na gravidez

No dia de ontem, 26 de fevereiro de 2020, foi confirmado o primeiro caso de coronavírus no Brasil, o que tornou o país o primeiro a confirmar a infecção na América Latina, e isso ativou alguns gatilhos.

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, concedeu diversas entrevistas, onde disse que “essa é mais uma gripe que vamos atravessar, investindo em pesquisa, ciência e clareza de informações”. Mandetta frisa também que “a gripe causada pelo vírus H1N1 era mais grave, e acometia mais jovens e gestantes”. Ao que parece, o coronavírus acomete mais idosos.

Após esse primeiro caso brasileiro,  a FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia emitiu um comunicado com orientações gerais sobre o coronavírus na gravidez, onde é interessante enfatizar os seguintes pontos:

  • como essa é uma doença nova, ainda não há conhecimento específico sobre o assunto para a elaboração de protocolos assistenciais;
  • por conta disso, nesse momento, as orientações serão as mesmas das infecções causadas por outros vírus, como o H1N1;
  • os cuidados são os mesmos já amplamente divulgados: lavar bem as mãos, evitar aglomerações e contato com pessoas febris ou com sinais de infecção respiratória;
  • até o momento, não há informação sobre o potencial do novo vírus causar malformações, então, a amamentação pode ser mantida para quem for diagnosticada com o vírus, lembrando de utilizar máscaras de proteção e higienização das mãos.

Confira, abaixo, o comunicado sobre o coronavírus na gravidez na íntegra:

INFORME FEBRASGO – Novo Coronavírus 2019 em obstetrícia

Sobre os aspectos obstétricos da infecção pelo COVID-19 é necessário considerar que esta é uma doença de aparecimento recente, não havendo conhecimento específico sobre o assunto para a elaboração de protocolos assistenciais. Em decorrência disto, várias orientações derivam da analogia com infecções causadas por outros vírus (CoV-SARS, CoV-MERS e H1N1) e tudo que existir de evidências hoje estará sujeito a modificações a partir da geração de novos conhecimentos. As infecções causadas pelo CoV-SARS  CoV-MERS foram limitadas regionalmente, mas os poucos casos obstétricos observados (publicados), apontam a necessidade imperiosa de suporte avançado de vida para estas gestantes e prognósticos materno e gestacional severamente comprometidos. Todos realçam a importância dos cuidados com a dispersão do vírus12,13,14.  Por sua vez, a infecção pelo H1N1em gestantes tem vasto suporte na literatura decorrente de sua gravidade e de sua elevada prevalência em todo o planeta.  Até o momento, o cuidado pré-natal e obstétrico projetado para a eventualidade de termos casos de COVID-19 no país será baseado no conhecimento referente ao H1N1, claro considerando sua diferenças.

Para o atendimento pré-natal de gestantes sem risco epidemiológico ou clínico para a infecção pelo COVID-19 os cuidados serão aqueles usuais com a higienização das mãos. No entanto, para o atendimento de gestante classificada como “caso suspeito” ela deverá utilizar máscara de proteção e o profissional deverá utilizar máscara, luvas, óculos e avental. Dentro das orientações dos planos de contenção da infecção nos hospitais estes casos deverão ser hospitalizados até a definição diagnóstica, que será baseada na reação de RT-PCR no material obtido por swab (nasal, orofaringe) ou lavado nasal, traqueal ou bronco-alveolar. Importante lembrar que nestes casos a pesquisa diagnóstica deve considerar o H1N1como um dos principais diagnósticos diferenciais, ao lado das pneumonias bacterianas típicas e atípicas10.

Mulheres grávidas com suspeita ou confirmação de infecção pelo COVID-19 devem ser tratadas com terapias de suporte, de acordo com o grau de comprometimento sistêmico. Lembra-se da inexistência de terapia antiviral específica ou de imunoterapia passiva ou ativa. Segundo orientações da WHO como as manifestações clínicas da infecção pelo COVID-19 são parecidas tanto com a pneumonia causada pelo H1N1 quanto por bactérias atípicas, em alguns casos a opção pelo tratamento empírico destas afecções torna-se necessário, pelo menos até que o diagnóstico diferencial seja possível e seguro10.

Como orientação adicional às gestantes evoca-se as orientações que já são oferecidas habitualmente para profilaxia da infecção pelo H1N1, em uma “intensidade” que não cause preocupação infundada, mas assertiva o suficiente para ser incorporada pela gestante. Dentre estas orientações salienta-se evitar aglomerações, contato com pessoas febris e contato com pessoas apresentando manifestações de infecção respiratória. Considerar que a higienização das mãos, evitar contato das mãos com boca, nariz ou olhos são as medidas mais efetivas contra a disseminação destas duas infecções. Sabe-se que são as informações são importantes e falam de estratégias simples, mas difíceis de serem efetivadas na prática.

Até o momento não há nenhuma informação sobre o potencial do COVID-19 para causar algum tipo de malformações. Com o tempo será possível assumir informações deste tipo com segurança. Por sua vez, a amamentação pode ser mantida para puérperas infectadas por este vírus. Orientação divulgada pela WHO sugere que puérperas em bom estado geral deveriam manter a amamentação utilizando máscaras de proteção e higienização prévia das mãos. Na tradução básica desta orientação a justificativa foi que “Considerando os benefícios da amamentação e o papel insignificante do leite materno na transmissão de outros vírus respiratórios, a puérpera pode amamentar desde que as condições clínicas o permitam”10.

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