Por que o pré-natal começa tão cedo?
O primeiro trimestre é o período em que os órgãos do bebê se formam — coração, sistema nervoso, membros, face. Qualquer problema identificado nessa fase tem muito mais chance de ser acompanhado e tratado a tempo. Por isso o Ministério da Saúde recomenda iniciar o pré-natal até a 12ª semana de gestação.
Se você descobriu que está grávida, não espere ter sintomas mais intensos para marcar a consulta. O quanto antes você iniciar, melhor.
Onde fazer o pré-natal?
Pelo SUS (gratuito)
Todo o pré-natal pode ser feito pelo Sistema Único de Saúde, sem custo. Basta ir à UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima com:
- Documento de identidade
- Cartão do SUS
- Resultado de teste de gravidez (ou relato de menstruação atrasada)
O SUS oferece consultas, exames de sangue e urina, ultrassonografias, vacinas e acompanhamento até o parto.
Pelo plano de saúde ou particular
O acompanhamento é feito por obstetra credenciado. O rol mínimo da ANS obriga os planos a cobrirem o pré-natal completo.
Quantas consultas são necessárias?
O Ministério da Saúde recomenda no mínimo 6 consultas, mas o ideal é muito mais:
- 1ª consulta: até a 12ª semana (abertura do cartão da gestante, exames iniciais)
- 2ª–5ª consultas: mensalmente ao longo do 2º e início do 3º trimestre
- 6ª–8ª consultas: quinzenais ou semanais nas últimas semanas
Os exames do pré-natal: o que cada um avalia
1ª consulta (exames iniciais)
- Tipagem sanguínea e fator Rh: se você for Rh negativo e o bebê for positivo, é necessário acompanhamento específico
- Hemograma completo: detecta anemia e infecções
- Glicemia de jejum: identifica diabetes pré-existente
- Urina tipo 1 (EAS): rastreia infecção urinária (muito comum na gestação)
- VDRL: sífilis — triagem obrigatória
- HIV: triagem obrigatória pelo Ministério da Saúde
- Hepatite B e C
- Toxoplasmose (IgG e IgM): sem imunidade, cuidados alimentares são necessários
- TSH: função da tireoide — disfunções podem afetar o desenvolvimento do bebê
- Ultrassonografia transvaginal: confirma a gestação, localização e data provável do parto
1º Trimestre (11ª–13ª semana)
- Ultrassom morfológico do 1º trimestre + translucência nucal: avalia risco de alterações cromossômicas. Não é diagnóstico — é rastreamento
- PAPP-A e beta-hCG livre: marcadores séricos complementares
2º Trimestre (20ª–24ª semana)
- Ultrassom morfológico do 2º trimestre: avalia órgãos, placenta, líquido amniótico, crescimento fetal
- Teste de tolerância à glicose (TOTG 75g): rastreamento do diabetes gestacional
3º Trimestre (34ª–36ª semana)
- Ultrassom com Doppler: avalia circulação placentária e bem-estar fetal
- Streptococcus agalactiae (Estreptococo B): se positivo, antibiótico durante o parto para proteger o bebê
- Cardiotocografia: monitora os batimentos do bebê e as contrações uterinas
Vacinas na gestação
As vacinas fazem parte do pré-natal e são oferecidas gratuitamente nas UBSs:
- dTpa (tríplice bacteriana acelular): a partir da 20ª semana — protege o bebê contra coqueluche antes da vacinação própria
- Influenza (gripe): a partir do 1º trimestre
- COVID-19: recomendada em qualquer trimestre
- Hepatite B: se não houver imunização prévia completa
O cartão da gestante: não saia sem ele
Na 1ª consulta você recebe o cartão da gestante (ou baixa pelo aplicativo Meu SUS Digital). Leve em toda consulta — ele registra todo o histórico da gestação e é obrigatório na hora do parto.
Cuide do emocional também
A gestação mexe com o psicológico de formas que nem sempre se fala: medo do parto, mudanças de identidade, relação com o próprio corpo transformado. Se a ansiedade ou a tristeza persistirem, mencione ao seu obstetra e considere apoio psicológico. Cuidar da mente é parte do pré-natal.
Para esta fase
- Livro de gestação semana a semana — para acompanhar cada etapa com tranquilidade.
- Almofada de amamentação — conforto para a mãe e para o bebê.
- Kit de cuidados do bebê — o essencial dos primeiros meses num lugar só.
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